
A tentativa de trazer Liz Lanne de volta ao pop folk de antes até que foi bem sucedida pelo produtor Rogério Vieira. Mesmo não tendo o sentido completo de excelência musical que o primeiro cd trouxe, “Mergulhar” vem com uma identidade nova e própria. A capa nada tem a ver com o conteúdo.
Como todo bom evangélico já gosta, canções fortes e de impacto permeiam esse novo trabalho. A presença de Eyshila está em praticamente todas as composições. Além é claro de figurinhas como Anderson Freire e Livingston Farias.
Rogerinho já gosta. E deu aquele ar todo “caminho das índias” na abertura de “Minha esperança”. A canção é boa e fala da volta de Jesus. Facilmente assimilável.

Mas sem dúvida “mergulhar” foi um excelente presente de sua irmã, dando inclusive o título a este trabalho. A música é ímpar. Só fica difícil acreditar que Liz deu aquele grito tão afinado de verdade.
Aliás, afinação foi o que pecou nesse trabalho. A cantora parecia tão preocupada em impostar a voz de forma encorpada que acabou dando umas escorregadelas. Perceptíveis na faixa “Eu vim te agradecer”. Não se sabe se foi coisa do produtor, que pouco utilizou o recurso do protools pra dar mais charme, ou sei lá o que. Mas temos sim por alguns momentos a sensação de que estamos ouvindo uma amadora entoando canções de Elis Regina.
O back nem se fala. Como sempre carregando a artista nas costas.
“Ainda dá tempo” é igual a central do Brasil na hora do “rush”. Entraram nesse bonde Marquinhos, Lilian, Fernanda, Emerson e Eyshila, quase sem voz em sua própria composição. A música é meio dramática e fica ainda mais com a enrijecida participação de Fernanda Brum, com seu “ouou” na hora que a música sobe de tom. Impagável.
“Basta uma palavra” roubou a cena de “Mergulhar”. E mesmo sendo meio pentecostal, acabou agradando mais o público do que o sofisticado título. Além disso, ganhou uma
segunda versão mais incrementada após nossa dolorida crítica ao primeiro video da canção.
“Eu profetizo” e “o tempo não volta” são agradáveis. Boas pra cantarolar. Trazem um clima meio saudosista.
“Sim, Deus é comigo” é sem dúvida uma canção que relembra a Liz Lanne de “Deus disse sim”, primeiro cd da artista. Aquele clima da virgem que passeia numa tarde de sol no campo.
“O favor de Deus” também é interessante. Só.
“Eu vim te agradecer” e “meus cântaros” trazem a adoração mais ao foco. Também de Eyshila, as músicas são bem charmosinhas.
Ok. Agora sim uma canção sem graça. Ou apenas, dirá ao coração daqueles que estiverem abertos a esta mensagem. Não que não estivéssemos. Mas essa você pode pular que nem vai doer. “deixa eu te tocar”.
É interessante notar que Fernanda Brum compõe canções tão alegres... para os outros. Pra ela é sempre aquele repertório dramático-profético. Mas enfim. “Não te deixarei” é uma ótima canção que também leva quem ouve a se divertir. É uma pena que a cantora, assim como a irmã, nunca interpreta o suficiente tais canções.

E o cd termina com uma música estilo “abertura de power rangers”. Algo completamente sem nexo. Aquela coisa “Pula-pula” né... Tem que encher 13.
E mesmo tendo alguns fatores contra, o cd saiu ótimo. Um bom produto que mostra que não é necessário ser simpática ou cantar muito pra chegar lá. Basta ter uma irmã que componha muito bem e uma meia dúzia de amigos.
4 ESTRELAS pra esse trabalho que surpreendeu! Parabéns ao produtor e a todos os envolvidos.
Ta vendo Liz? Nem sempre falamos mal.